terça-feira, 27 de novembro de 2007

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação,
o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso,
voz modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 25 de novembro de 2007

Quinteto triste

O seu violão repousa na sala

A sua música parou de tocar

E eu nem percebi

O quanto esse acorde fez falta

Na trilha sonora das minhas manhãs

E as tardes que tardam

Como eu lhe disse um dia

São tão vazias e tristes

Que quase choram chuva

A primavera é quem não deixa

A noite é ainda pior

Sem os teus pés no fundo da cama

O seu pijama também reclama

Da falta que o seu cheiro faz

Nos lençóis que ficarão tão órfãos de você.


E qual é o seu partido nisso tudo?

Eu pensei que você fosse um bom partido

E por isso mesmo eu nunca pensaria

Que um dia

Você seria o meu coração partido.

sábado, 24 de novembro de 2007

Então... boa sorte!

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sobrenomes...

Todo mundo tem um nome
Que quando ouve
Não importa o sobrenome
Até o fígado suspira
Aquele nome que os anos não apagam
O nome que formam tantos nomes mas que só trazem uma lembrança
A Paula esmigalhou os seus sonhos?
O Ricardo fez você acreditar no amor e depois sumiu?
A Juliana te traiu.
Sempre existe um nome
Ou muitas vezes mais do que um
Que te provoca, que te cutuca, que te fere os ouvidos
Não importa a pessoa...
Mas o nome fica guardado no peito
Aquele nome que vc não pode ouvir
E nem gosta de falar.
Aquele nome.
Quantas Marias e Clarices existem no mundo?
Ou Pedros e Joãos?
Pode apostar que algum nome balança o seu coração.
O nome do amor que você perdeu
Ou da sorte que você levou.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Idéias fugitivas

Eu estava pensando em tantas coisas legais para postar no blog. É sério, vários temas bacanas passaram pela minha cabeça durante todo o dia. Mas quando eu resolvi colocar o plano do post em prática... elas simplesmente fugiram. Eu sei que eu vou lembrar delas assim que desligar o computador, ou quando estiver dirigindo, porque idéia é um espírito zombeteiro.
Vamos então às bobagens:

- Recebi um e-mail hoje anunciando uma novidade muito importante para a humanidade. Sabe aquelas bolhas de ar das embalagens que envolvem aparelhos eletrônicos, as bolinhas que você passa a tarde toda estourando? Existe uma versão online para elas. Faz até barulho.

- Recebi também uma newsletter que garante solucionar a minha disfunção erétil. Sério, gente, não sei porque isso chega todos os dias à minha caixa postal. Vou acreditar em breve que tenho pinto e, pior, que ele não funciona.

Estou feliz porque acabo de copiar os dois últimos episódios do Heroes. Que maravilha...!
Faço hora na redação porque o trânsito está caótico. Dizem que é por causa de um tal de Feriado. O nome é até familiar, mas sabe que eu não lembro do dito cujo? rs

O meu feriado será assim: Seleção Brasileira e São Paulo...
Praia? Quem precisa de praia quando se tem um treino para assistir, não é mesmo? Hehehe.

Bom, já que as idéias fugiram, vou aproveitar a carona.
E eu sei que assim que desligar o computador, como disse acima, as travessas vão dar o ar da graça.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A zona do agrião

Como é ardida a pequena área. Nao fosse tão ameaçadora, qual seria a explicação para tantos gols perdidos? Porque não se faz mais atacantes como antigamente?
Como é verde e ardida essa pequena área. Fere os olhos. A roupa do goleiro espanta. O vento bate mais forte naquele pequeno pedaço de gramado.
O Zé tropeçou na pequena área. O Zé fraquejou na pequena área. O Zé esqueceu do gol.
Porque é tão ardida essa áreazinha. Ela é tão pequena e tão apimentada.
Faltou espaço para a conclusão...
Xi, adiantou demais, tiro de meta!
Saaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiu o goleirooooo!
Como ela é ardida. Ela me irrita. Quanto ranço ela carrega.
Como é pequena essa área ardida. Não fosse tão ameaçador, talvez o Zé tivesse acertado o pé. E qual seria a explicação para tantos Zés perdidos? É que não se faz mais pequenas áreas como antigamente...

domingo, 11 de novembro de 2007

Parafraseando Chico Buarque...

Saiu em disparada em um ataque rápido
Driblou uns dois zagueiros como se fosse mágico
E a bola saiu rodando como se estivesse bêbada
E se acabou no gol em um final tão trágico
Para o rival que perdeu e entrou em pânico
E morreu nas semifinais atrapalhando o sábado
Mas o atacante vibrou como se fosse um príncipe
E se acabou no chão comemorando o prêmio
E para acabar o verso vou usar uma anáfora?
Morreu com o troféu na mão como se fosse o único.

Já inventou uma palavra hoje?

Neologismo é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de novo sentido a uma antiga; pode ser um comportamento espontâneo próprio do ser humano ou meramente artificial para fins pejorativos.

Ainda vou criar o meu próprio dialeto.

A noite e a madrugada

A noite é uma companhia ingrata.
Ela parece que fica calada,
Mas grita tantas coisas no meu ouvido...
A madrugada é uma amiga traiçoeira.
Ela me consome e depois some com a luz do dia.
Acelera todos os meus pensamentos e aflições.
Faz girar o carrossel da dúvida.
Faz acelerar a montanha-russa dos meus medos. T
odos os dias são iguais se com ela passo... se com ela não durmo.
Anoitece... e eu já penso nelas duas, que são as parceiras do desassossego.
Mas hoje eu vou me encontrar é com os meus sonhos, porque há tempos que não durmo e a noite, você sabe. É uma companhia ingrata.
Ela parece falar comigo.
Mas com ela eu apenas morro mais um dia calada.

QUANDO PERDERES O GOSTO HUMILDE DA TRISTEZA

Este poema do Manuel Bandeira é para você.
Beijo.

Quando perderes a gosto humilde da tristeza,
Quando nas horas melancólicas do dia,
Não ouvires mais os lábios da sombra
Murmurarem ao teu ouvido
As palavras de voluptuosa beleza
Ou de casta sabedoria;
Quando a tua tristeza não for mais que amargura,
Quando perderes todo estímulo e toda crença,
- A fé no bem e na virtude,
A confiança nos teus amigos e na tua amante,
Quando o próprio dia se te mudar em noite escura
De desconsolação e malquerença;
Quando, na agonia de tudo o que passa
Ante os olhos imóveis do infinito,
Na dor de ver murcharem as rosas,
E como as rosas tudo o que é belo e frágil,
Não sentires em teu ânimo aflito
Crescer a ânsia de vida como uma divina graça:
Quando tiveres inveja, quando o ciúme
Cristar os últimos lírios de tua alma desvirginada;
Quando em teus olhos áridos
Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas
Em que se amorteceu o pecaminoso lume
De tua inquieta mocidade: Então sorri pela última vez, tristemente,
A tudo o que outrora Amaste. Sorri tristemente... S
orri mansamente...em um sorriso pálido...pálido
Como o beijo religioso que puseste
Na fronte morta de tua mãe...S
obre a tua fronte morta...

Manuel Bandeira